VIVO EU, MAS NÃO EU

“Devo ser como uma vela que arde, consome a cera e ilumina até morrer. Os membros se unem à cabeça, o ferro ao ímã e eu a Jesus desejo unir-me no Sacramento e no céu” (Propósitos do ano 1870; em AEC p. 730).

O Padre Claret enfatiza a importância do sacrifício de si mesmo para permanecer sempre unido a Jesus. Para explicá-lo faz uso do símbolo bem conhecido da vela acesa. Você sabe certamente que é regra comum na vida espiritual ir pouco a pouco morrendo para si mesmo.

Desde o plano meramente natural, todo ser humano é movido pelas tendências e desejos do seu “ego”, esta região cega que precisa ser controlada pela mente e pela vontade. Todas as religiões reconhecem que o “ego” e Deus não podem conviver. Quem quiser crescer em sua união com Deus precisará liberar-se progressivamente do seu “ego”. É o que quis ensinar Jesus com a expressão “negue-se a si mesmo” (Mc 8,34). O “ego” não tem impressa a imagem de Deus. É talvez o que às vezes São Paulo designa com a palavra “carne”, que não concorda com o plano de Deus, “nem sequer pode” (Rm 8,7). O “ego” é um ídolo que quer ocupar o lugar de Deus.

Em vez, viver segundo Deus é o caminho da auto realização, já que é retomar o “eu” originário, criado por Deus à sua imagem. Na medida em que experimentamos mais a Deus o “ego” se dilui e desaparece como a cera da vela; vamos chegando ao “já não sou eu que vivo, mas Cristo vive em mim” (Gal 2,20). A cera começa a diminuir à medida que a vela arde. Do mesmo modo, à medida que a presença de Deus vai ocupando o nosso espaço, o “ego” vai sendo mandado para fora.

O auto convencimento joga um papel essencial neste processo: rompe a couraça do “ego” e o deixa desprotegido. Por isso Jesus convida a carregar a cruz. Por onde começar? Tudo começa com o desejo de estar unido a Jesus. Claret fala da sua sede insaciável de fusão com Jesus no Santíssimo Sacramento e no céu. Sede e desejo são a porta para esta comunhão com Ele. E é a chave da porta à felicidade. Parece ser alguma coisa sem sentido? Talvez pense assim. Mas a realidade é que nosso ser interior está constituído de tal modo que lhe é natural querer unir-se ao divino. Quiçá tenha falhado várias vezes em escutar suas silenciosas instigações a caminhar para esta felicidade. Mas pode começar outra vez agora!

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