SEGUNDO O CORAÇÃO DE DEUS

“Por causa do especial cuidado e providência que Deus Nosso Senhor tem para com a Igreja militante, em todos os tempos tem enviado e envia homens segundo seu coração, cheios de graça e de doutrina, para fazer frente aos erros que o demônio tem inventado e sugerido aos ímpios, seus sequazes, que continuam com os vícios nos quais os tem precipitado” (L’egoismo vinto, Roma 1869, p. 47, em EE p. 406).

A vocação da Igreja consiste em dar testemunho do Senhor neste mundo (cf. Lc 24,28). Por isso já os primeiros cristãos foram “Igreja militante”, pois lhes tocou lutar contra as fábulas e a favor da verdade. “Mortos ao pecado e vivos para Deus em Cristo Jesus” (Rm 6,11), estamos destinados a lutar contra o que não está de acordo com Deus.

O Padre Claret interpretou sua vocação sacerdotal como combate contra o mal (Aut 101) e sublinhou o aspecto “militante” da Igreja. Daí sua devoção a São Miguel Arcângelo, o lutador pelos direitos de Deus. Chamavam sua atenção os mártires, aguerridos defensores da verdade e da justiça. Ser Igreja militante é viver a difícil atitude de lutadores pacíficos pela implantação dos valores do Reino; isto exige um elementar conhecimento do que disse Jesus (cf Lc 12,47-54), quando fala de “sinais dos tempos”, nos quais o crente deve ler “sinais do Reino” distinguindo-o nitidamente do antirreino.

Para iniciar este difícil combate é preciso não estar aferrados às “armas” antiquadas, talvez já não aptas para combater os novos “demônios”. Claret vê na história da Igreja como Deus tem suscitado em cada época novos braços e novos estilos de luta. Os valores permanentes precisam de atualização com novas linguagens e novas práticas. Claret, colocando em marcha novas organizações evangelizadoras e pastorais, é uma amostra de como Deus foi providente com a Igreja do seu tempo.

Que ressonância tem em você a expressão “Igreja militante”? Está talvez contaminada com experiências eclesiais não gratificantes? E se traduzisse por “testemunho agressivo”? O que deveria fazer para assemelhar-se ao “pai de família que tira do seu  tesouro coisas novas e velhas” (Mt 13,52)?

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