SACRAMENTALIDADE DO LUGAR

“Com muitíssima frequência, desde pequeno, acompanhado de minha irmã Rosa, que era muito devota, ia visitar um Santuário de Nossa Senhora chamado Fusimanha, distante uma légua da minha casa. Não posso explicar a devoção que sentia em dito Santuário… esta devota imagem de Fusimanha a visitei sempre que pude, não só quando pequeno, mas também quando estudante, sacerdote e arcebispo, antes de ir à minha diocese” (Aut 49)

Há presenças, podem ser lugares, pessoas, que sempre nos acompanham na mochila da vida por todas as partes e às quais, sempre que possível, retornamos fisicamente ou com a memória ou lembrança. Nossa vida foi sendo atada ou deixando atar-se a estas presenças amáveis, amigas, boas, belas, em uma palavra, benévolas e benfazejas. E tudo isto faz parte da nossa memória agradecida. Graças a todas elas, que fazem parte para sempre da bagagem ou do disco rígido de nossas vidas, somos o que somos, tenhamos feito o caminho da vida até o dia de hoje.

Talvez nem sempre estejamos conscientes da nossa dívida, por assim dizer, para com estas presenças. Mas, agora que você começa a pensar, todas estas presenças, acho que sim, despertam seu amor, fervor, veneração que não pode nem tem razão para dissimular. E por todas estas presenças, algumas mais remotas, outras mais próximas, nos sentimos de certo modo devedores. É certo que neste tipo de coisas intermedia muito a experiência vital de cada pessoa, suas saudades, nostalgias, recordações. E, por isso também, tudo isto pode dar mais sentido em determinadas situações de distância ou separação.

Entre todas estas presenças parece que há uma presença que se destaca de um modo especial, com um contorno particular. Refiro-me à presença da mãe, isto é, daquela que nos gerou, nos deu à luz, nos acompanhou muito de perto, de tantas e tantas maneiras, em infinitas horas e cuja presença, com o passar do tempo, foi fazendo-se mais discreta, mas não menos sentida, conforme fomos crescendo, fazendo-nos adultos, tomando outros rumos e horizontes. Mas, por muito que tenhamos crescido, continuamos sendo filhos dela. Para ela, embora sendo adultos, sempre somos “seus filhos”. Lembra-se da herança de Jesus na cruz? Mãe, aí tens teu filho. Filho, aí tens tua mãe. E desde aquele momento, o discípulo a acolheu em sua casa.

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