OS GOLPES TRANSFORMAM A PEDRA

“Os inimigos e… (perseguidores) se comportam comigo como os carpinteiros com a madeira, como os ferreiros com o ferro, como os escultores, fazedores de estátuas com a pedra; como os cirurgiões que nos operam, que querem ser pagos com favores, graças e orações” (Propósitos de 1861; AEC p. 695).

Aqui recordamos o mandamento de Jesus a seus seguidores: “rogai pelos que vos perseguem e caluniam” (Mt 5, 44). A mensagem cristã tem tal força que, quando é interiorizada e se vive, pode granjear-nos tanto amigos como inimigos. A palavra “inimigo” não assusta o seguidor de Jesus; os inimigos, desde a perspectiva evangélica, nós os vemos em certo modo como enviados de Deus. Jesus teve seus inimigos; e o cristianismo tem seus inimigos. No ocidente se fala atualmente de “cristofobia”. É preciso saber vivê-la e tirar proveito. Como disse agudamente Chesterton, o inimigo é o que nos mete na água quente, é a que melhor limpa.

Com um olhar transparente, o Padre Claret contemplava os inimigos em sua função de “escultores” capazes de obter da pedra rústica uma imagem refinada. Diante deles, ele se considerava madeira bruta que precisava receber forma, ou pedra que devia ser polida. Naturalmente este fruto somente se consegue com perseverante integridade.

Quando os inimigos atingem nossos defeitos, cacarejam nossos possíveis erros ou nos atacam com qualquer pretexto, às vezes podem nos ajudar a abrirmos os olhos à nossa realidade, a vivermos mais lúcidos diante de alguns males que talvez nos afetam sem que saibamos sejam nossos; em tal caso seriam uma bênção que Deus nos presenteia “com dissimulação”, “acobertados”, mas de grande importância em nosso itinerário espiritual.

O Padre Claret, bom captador deste “serviço” dos inimigos, orou perseverantemente por eles e por si mesmo, para saber aproveitar tanta perseguição e calúnia. E esta oração não foi inútil. Durante seus exercícios espirituais feitos em Roma, em outubro de 1869, escreveu: “Dia 12. Às onze e meia do dia, o Senhor me concedeu o amor aos inimigos. Eu senti em meu coração” (AEC p. 825).

Eu me senti alguma vez vítima de rejeição ou incompreensões? Como as tenho enfrentado? Soube reconhecê-las como bênção “dissimulada”, mas eficaz?

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