NÃO NOS CANSEMOS DE FAZER O BEM (Gl 6,9)

“Tanto se preocupam os inimigos com a religião e nós ficamos dormindo: eles fazem trabalhar a imprensa dia e noite, em dias de trabalho e nas festas; e nós abandonamos a si mesma a pobre Livraria Religiosa, que tanto bem tem feito e ainda poderia fazer se vocês e os irmãos dessem uma mão de ajuda” (Carta a D. Caixal, 22.8.65, em EC II, p. 923).

A primeira coisa que nos vem em mente ao ler este fragmento da carta de Claret são as palavras de Jesus: “os filhos deste mundo são mais astutos para suas coisas que os filhos da luz” (Lc 16,8). E a carta se refere a algo de viva e palpitante atualidade, como são os meios de comunicação. O Padre Claret não só exaltou a importância da palavra escrita e amplamente difundida, mas também procurou os meios para que isto existisse, fundando a editora “Livraria Religiosa”.

Nestas linhas existe um tom de queixa: “poderíamos fazer mais e melhor”. “Os que têm interesses menos honestos que nós encontram os recursos para chegar ao grande público e difundir o que pretendem e nós, em troca, ficamos parados”. Acontece que nem todos têm o espírito evangélico, nem o dinamismo ou fogo interior que tinha Claret e isso se nota na hora de estar entusiasmados e de entusiasmar a outros.

Mas o assunto está aí, desafiando nossa imaginação criativa, nossa capacidade de colaborar com outras pessoas e de concentrar esforços a fim de que a palavra evangélica seja difundida por todos os meios que a técnica tem posto à nossa disposição. Com humildade e simplicidade, mas também sem medo nem complexos.

Se as primeiras comunidades cristãs tivessem tido medo dos meios de comunicação da época, hoje não teríamos o Novo Testamento. Se nos limitamos a criticar os atuais meios de comunicação sem fazer um esforço sério para entrar neles de maneira positiva, estamos impedindo que a mensagem cristã chegue a um setor cada vez mais amplo da sociedade, especialmente das novas gerações. Sem dúvida, Claret nos diria hoje a nós: “irmãos, não vos canseis de fazer o bem” (2Tes 3,13).

A que coisa dedico mais meu tempo e energias, a criticar o que não me parece estar bem ou a fomentar criativamente iniciativas positivas para a construção do Reino de Deus?

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