AMOR GRATUITO

“Amar os que nos favorecem, servem e consolam é coisa fácil e que não requer virtude alguma; mas amar, servir e acariciar os que nos ofendem e nos são chatos, sem outro motivo senão querer agradar a Deus, é amor verdadeiramente sobrenatural… As demonstrações de benevolência e carinho que se fazem com as pessoas a quem temos aversão e sentimos antipatia são muito agradáveis a Deus, porque as exercita na alma segundo a parte superior contra a aversão que reside na porção inferior da mesma alma”. (Carta ascética ao presidente de um dos coros da Academia de São Miguel. Barcelona 1862, p. 9s; editada em EC II, p. 583s)

Ninguém tratou Abraão Lincoln com tanto desprezo como Edwin Standon. Mas Lincoln nunca respondeu aos insultos. Mais ainda, nomeou Standon ministro da defesa, achando que era o homem mais apropriado. Na noite em que Lincoln foi assassinado, Standon disse, olhando a face enrugada do cadáver: “aqui jaz o melhor governante que tenha visto o mundo”. O amor paciente havia obtido finalmente sua recompensa. Lincoln era um homem de fé, e, por isso, suportou o irritante Standon por agradar a Deus.

O texto sobre o qual refletimos hoje está nesta linha. Mostrar benevolência e compaixão para com aqueles que nos ofendem é certamente algo sobrenatural: procede do amor divino. Quando analisamos em profundidade o modo em que muitos exercem o amor de uns para com os outros, acabamos percebendo que se trata de uma espécie de “negócio” por causa do pouco amor que levam no coração. É como emprestar dinheiro a juros, falta a nota característica do amor autêntico: a gratidão.

Este não é amor cristão. “Devemos doar até doer”, como disse a Beata Teresa de Calcutá. Espera-se que amemos os outros sem esperar compensação. Você pensa que é possível contando somente com o esforço humano? Não, é preciso que venha o amor divino a nos ajudar. Até Jesus partilhou com os humanos o amor recebido: “como Pai me ama, assim também eu vos amo. Perseverai no meu amor” (Jo 15,9). Para amar a fundo perdido, é preciso ter experimentado o amor gratuito de Deus; desde ele brotará e fluirá continuamente, em todas as direções, um amor ilimitado, pois “o amor nunca se acaba” (1Cor 13,8).

Quem participa do carisma missionário de Claret deve estar impelido por esse amor. O coração do mundo está muito seco, sem amor, arde em paixões, mas se morre de frio. Sem amor, nosso planeta não tem rumo. Que caiam torrentes de amor sobre o cosmo! E que um generoso partilhar brote de todos os corações humanos!

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