AMOR À POBREZA

“Amarão a virtude da pobreza, olhando-a como sua mãe e sua amiga, e para este objetivo farão bem privar-se algumas vezes do necessário, à imitação de Jesus, que por nós se fez pobre e necessitado, nasceu pobre, viveu muito pobre e morreu paupérrimo e ainda nu”. (Religiosas em suas casas ou as filhas do Santíssimo e Imaculado Coração de Maria. Barcelona 1850, p. 121. Ed. crítica, em Madrid 1990; p. 173).

Amar a pobreza supõe pensar nela como algo “amável”, desejável… não como uma carga imposta, um peso do qual queremos fugir ou uma imposição ascética que caiu sobre nós como uma pedra. Viver a pobreza como mãe ou amiga é tê-la em grande estima. Isto é o mais importante: amar a pobreza e amá-la com boa vontade. Somente desde este amor tem sentido a privação, o jejum, a austeridade, a renúncia…

A chave de tal amor em Claret é o desejo de configurar-se com Cristo pobre, paupérrimo. E n’Ele o que aparece primeiro não é a renúncia ou o sacrifício, mas o motivo: Claret não ama a pobreza, mas está seduzido por “um Pobre”, Cristo, quem se fez pobre livremente “por nós” (2Cor 8,9). Ser pobre não foi para Ele uma carga, mas um modo gozoso de ser Ele mesmo e levar a cabo sua missão. Ele, que era infinitamente rico…

Perguntou-me se nós temos experiência desta pobreza livre e prazerosamente escolhida. Pobreza que deve abranger as coisas materiais, se entende, mas que se fundamente e se origine em algo muito mais profundo: uma pobreza íntima, pessoal… que exclua toda autossuficiência, ao percebermos que estamos nas mãos do Pai em tudo e para tudo, porque não temos a capacidade de salvar-nos a nós mesmos. Uma pobreza que se maravilhe com os lírios dos campos, da sua liberdade e beleza. Uma pobreza que nos deixe despidos diante dos poderes do mundo, como aconteceu com o mesmo Cristo, porque suas “armas” são outras.

Qual é a medida da minha pobreza? Em algum momento experimentei a pobreza como motivo de prazer em liberdade? Ou, antes, quando em alguma coisa a experimentei, foi para mim somente uma carga, embora a tenha escolhido eu mesmo por ascese ou por solidariedade com os pobres?

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