A EVANGELIZAÇÃO PRECEDE AOS SACRAMENTOS

“Esta cidade [Baracoa, Cuba] não foi visitada por um Bispo durante os últimos 60 anos e, portanto, o sacramento da confirmação não tinha sido administrado a ninguém. Quando eu cheguei, já dois de meus companheiros tinham feito a santa missão; no entanto, eu preguei todos os dias que permaneci na cidade, administrei o sacramento da confirmação a todos,…” (Aut  542).

Um dos aspectos que mais se critica sobre os que exercem uma responsabilidade pastoral na Igreja é o distanciamento do povo. Quando o Pastor é, sobretudo, “Senhor Bispo” e quando o sacerdote é principalmente “Senhor Padre”, é difícil que entre em um verdadeiro diálogo com o povo. As palavras se fazem distantes e são incapazes de comunicar uma mensagem que chegue ao coração. Em vez, quando se cria proximidade e o pastor se aproxima com cordialidade, nasce um diálogo que recolhe inquietações, partilha alegrias e faz que cada um se sinta parte da vida dos demais. A Igreja se enche de vida e se assumem conjuntamente os problemas, os desafios e os sucessos. Nasce a experiência de comunhão.

Santo Antônio Maria Claret foi um bispo ‘popular’. Havia sido sempre um missionário “popular”, atento às necessidades do povo e a recolher suas inquietações e suas perguntas. Por isso, sua linguagem era compreendida e sua pessoa procurada e amada.

Em muitos lugares, nossa sociedade está fortemente marcada pelo processo de secularização; é uma característica do mundo ocidental nos últimos decênios. Nossa linguagem está, com certa frequência, longe e é incompreensível. É um grande desafio anunciar uma mensagem religiosa a uma sociedade que se define como pós-religiosa. Nunca foram tão importantes a escuta e o diálogo. Somente quem vive no meio do povo poderá captar suas perguntas e dar-lhes uma resposta inteligível. Por isso é tão importante criar âmbitos de empatia e cordialidade.

O mesmo acontece em lugares onde a pobreza suscita perguntas peculiares, talvez distantes de um pastor que chega cheio de títulos acadêmicos ou ao voluntário de uma ONG condicionado por sua procedência de um mundo opulento. É preciso “descer” do pedestal e viver estas situações desde perto, desde dentro. A proximidade ao povo é uma chave fundamental para um anúncio eficaz e crível do Evangelho.

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